Sexta-feira, 15.10.10

Âncoras

 

Há dias em que sentimos um aperto no peito e não sabemos porquê.

Depois há aqueles em que só nos apetece chorar e não sabemos porquê-

Outros em que parece que todos estão de mal connosco, que nos respondem mal, tratam mal e descarregam as frustrações em nós, e não sabemos porquê.

E outros ainda em que sentimos muito a falta duma pessoa.

Tentem agora juntar os três num só dia e digam-me se é fácil chegar ao fim sem verter uma lágrima, sem se sentirem nostálgicos, com mau feitio, tipo homens/mulheres das cavernas sem querer ver o mundo ou as pessoas que nele existem. Pois hoje foi esse dia. E teria sido mais fácil se pelo menos aquela pessoa lá estivesse, porque o seu sorriso contagia, a sua energia contagia, até as suas lágrimas são contagiantes. Como uma âncora impede-me de ir ao fundo, de me afundar, de me afogar, de me deixar cair. Hoje especialmente senti a tua falta e das coisas bonitas que fizemos juntas.

Domingo, 21.03.10

Coimbra

Voltei ontem mas só hoje é que estive realmente capaz de escrever sobre o assunto. As monumentais deram cabo de toda a gente, a chuva tornou a indumentária fria e desagradável, o traçadinho aqueceu as gargantas mas na sexta feira a voz quase desapareceu. Valeu-nos o chá de cebola que o guia nos fez com grande carinho. Coimbra encanta quem por lá passa com as suas subidas e descidas, com o espírito académico e as repúblicas anti-praxe, com a praça 8 de Maio e as serenatas, com o Jardim da Sereia e os cânticos vindos das vozes roucas, a praça da República e as praxes. Mas o memorável foi o Teatro Académico Gil Vicente e quem lá passou. As borboletas na barriga de quem ainda tem aquele bichinho do palco, a cortina abrir e não ver ninguém, apenas ouvir os aplausos e os gritos de quem percorreu um longo caminho para nos ir ver. Os flashes das máquinas fotográficas, as trocas de olhares, a música a sair dos instrumentos e as palavras das nossas bocas.

Ir a um festival de tunas em Coimbra é algo que não se esquece, os momentos...esses são demasiados preciosos e valiosos para que possam ser descritos. Aliás, não há descrição possível...!

 

Terça-feira, 16.03.10

Somente para fazer uma pausa na nossa música

Desaparecida, eu sei.
Os ensaios começaram Segunda, prolongaram-se para Terça e devem ficar em stanby só depois de Quarta. Tocar com eles não se consegue descrever. A amizade, a música, a cumplicidade, os olhares e os sorrisos trocados em palco, a transmissão de pensamentos de uns para os outros durante as músicas. Preparados, ou não, para 3 ou 4 dias sem parar. Cantar até que as vozes nos doam. Sorrir até que as ficar com dores nas bochechas. Abraços, apertos de mão. Reconhecimentos pelo esforço. Agradecimentos de todos, para todos.

Cantar e encantar Coimbra durante dois dias.

E depois quem sabe mais dois em Viseu.

Isto para dizer que espero estar viva quando voltar a casa, porque "Quanto mais bebo melhor canto."

 

Anne Marie

C'est l'histoire de ma vie, racontée dans des mots qui sont le sommeil en vrac

É a história da minha vida, contada em palavras que fazem adormecer

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