Domingo, 23.01.11

Vive(r)

 

 

Não sei escrever sobre o que não sei sentir. Uma mistura de vida e morte. De quente e frio. De cores e tons cinzentos. De liberdade e aprisionamento. De grito e de silêncio. Só quero que chegue o dia em que encare a vida de braços abertos com vontade, garra e sem medos de a viver.

 

Quinta-feira, 30.09.10

Ritmo

E, de repente o ritmo acelerou violentamente. Palpitações, suores, flash back e flash foward, tudo ao mesmo tempo invadiu a minha cabeça de abóbora que não conseguia assimilar tanta coisa. Lembro-me disto e daquilo, do tempo a voar e da música a entrar de rompante pelos meus ouvidos, formar uma bola na minha cabeça e, de repente sentir o corpo arrepiado e as notas musicais passarem-me diante dos olhos. Saltava e gritava, explodia de emoção e adrenalina sem sequer sentir qualquer tipo de dor nos pés ou nos braços que se mantinham erguidos no ar durante tempos e tempos. Apenas sentia que elevava os pés do chão e percorria aquele espaço com a multidão de gente que se aglomerava, mas a um ritmo completamente alucinante.
Tal como o sonho (real ou não), a vida tornou-se assim. Sem tempo e com um ritmo avassalador.

Quarta-feira, 14.07.10

Sobre o sol, boa disposição

Sobre o sol?
É ele que me põe um sorriso na cara, me faz sair com quem me quer bem, me leva a tomar cafés em esplanadas ao fim da tarde e me leva a sair para ir até um bar na praia à noite. É ele que faz com que nada me aborreça, nada me aqueça ou arrefeça. É ele que me faz ir para a rua de calções e sandálias, e beber um frappuccino do starbucks às 16h. É ele que me faz andar ao sabor da brisa marítima e mergulhar na onda que se aproxima. É ele que me faz agarrar na mochila e ir passar um fim-de-semana à Ilha com pessoas que nos fazem rir o tempo todo.
É o sol que traz os festivais, as cores, a música e a água fria depois de um dia de praia. Estou completamente rendida aos sabores que a vida me tem proporcionado, aos sorrisos e à boa disposição. Ando feliz e isso nota-se. Até numa esplanada onde o empregado nos flirta e os dois senhores da mesa ao lado nos pagam uns copos. Estou absolutamente radiante, descalça, sobre o sol.

Segunda-feira, 14.06.10

Porras de uma vida

 

Os 20 já chegaram há algum tempo e, sim, sinto-me diferente.
Já não me sinto tanto uma menina grande que reclama com a vida e que nunca está satisfeita com nada. Já não venho para aqui contar como foi ontem, anteontem e como espero que o dia corra amanhã. A minha vida mudou, agora vejo tudo de maneira diferente. Vejo o passado de maneira diferente, tal como vejo o futuro. Vejo o curso, a faculdade, as amizades, os fins de semana e o mundo de maneira diferente. Agora tenho certezas de umas coisas e tremo de inseguranças por outras. Parece que afinal, já não existem facilitismos, já não nos podemos encostar àquela coluna fantástica do terraço da faculdade a fumar cigarros e a ter momentos de total diarreia cerebral. Agora já não podemos deixar as coisas para fazer no dia seguinte porque, agora, ficamos até às 03.00 da manhã a fazer trabalhos e a estudar para testes, quando podíamos ter feito os trabalhos antes e assim tínhamos tempo para estudar para os ditos testes. E se passássemos nos testes, tínhamos tempo para sair, ou para estar na ronha até às 14.00 a fazer zapping na televisão.
Agora, assumo que cometi um dos maiores erros de sempre. E estou a viver com isso.
Irritada. Possessa. Deprimida.
E invejosa, invejosa dele que está no Sul, que passou 45 minutos comigo da última vez, e que foi para festivais e beber copos nos bares das praias do Alentejo. Amuada por estar-se nas tintas. E acima de tudo chateada comigo por ser infantil e birrenta.
Há dias em que me enervo. Esses dias são óptimos para pôr a escrita em dia.

 

Anne Marie

C'est l'histoire de ma vie, racontée dans des mots qui sont le sommeil en vrac

É a história da minha vida, contada em palavras que fazem adormecer

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