Sexta-feira, 15.10.10

Âncoras

 

Há dias em que sentimos um aperto no peito e não sabemos porquê.

Depois há aqueles em que só nos apetece chorar e não sabemos porquê-

Outros em que parece que todos estão de mal connosco, que nos respondem mal, tratam mal e descarregam as frustrações em nós, e não sabemos porquê.

E outros ainda em que sentimos muito a falta duma pessoa.

Tentem agora juntar os três num só dia e digam-me se é fácil chegar ao fim sem verter uma lágrima, sem se sentirem nostálgicos, com mau feitio, tipo homens/mulheres das cavernas sem querer ver o mundo ou as pessoas que nele existem. Pois hoje foi esse dia. E teria sido mais fácil se pelo menos aquela pessoa lá estivesse, porque o seu sorriso contagia, a sua energia contagia, até as suas lágrimas são contagiantes. Como uma âncora impede-me de ir ao fundo, de me afundar, de me afogar, de me deixar cair. Hoje especialmente senti a tua falta e das coisas bonitas que fizemos juntas.

Quarta-feira, 14.07.10

Sobre o sol, boa disposição

Sobre o sol?
É ele que me põe um sorriso na cara, me faz sair com quem me quer bem, me leva a tomar cafés em esplanadas ao fim da tarde e me leva a sair para ir até um bar na praia à noite. É ele que faz com que nada me aborreça, nada me aqueça ou arrefeça. É ele que me faz ir para a rua de calções e sandálias, e beber um frappuccino do starbucks às 16h. É ele que me faz andar ao sabor da brisa marítima e mergulhar na onda que se aproxima. É ele que me faz agarrar na mochila e ir passar um fim-de-semana à Ilha com pessoas que nos fazem rir o tempo todo.
É o sol que traz os festivais, as cores, a música e a água fria depois de um dia de praia. Estou completamente rendida aos sabores que a vida me tem proporcionado, aos sorrisos e à boa disposição. Ando feliz e isso nota-se. Até numa esplanada onde o empregado nos flirta e os dois senhores da mesa ao lado nos pagam uns copos. Estou absolutamente radiante, descalça, sobre o sol.

Sexta-feira, 02.04.10

Tempo #1

 

 

"Há tempo para tudo", dizem.
Tempo para rir, para chorar, para sair, para estudar, estar com os amigos, namorar, estar sozinha, viajar. Dizem que há tempo para viver a vida mas eu acho que a vida não nos dá tempo suficiente para a viver. Para mim o tempo passa num instante! O tempo de andar na creche, o tempo em que jogava à bola na rua, o tempo em que andava na escola primária, o tempo em que fiz novos amigos na nova escola, o tempo em que andava toda a gente da mesma maneira...Esse tempo quase não o vi. E agora que tenho o tempo contado para tudo, ainda mais difícil se torna!

O tempo passou. É tempo de... fazer uma pausa.


Domingo, 21.03.10

Coimbra

Voltei ontem mas só hoje é que estive realmente capaz de escrever sobre o assunto. As monumentais deram cabo de toda a gente, a chuva tornou a indumentária fria e desagradável, o traçadinho aqueceu as gargantas mas na sexta feira a voz quase desapareceu. Valeu-nos o chá de cebola que o guia nos fez com grande carinho. Coimbra encanta quem por lá passa com as suas subidas e descidas, com o espírito académico e as repúblicas anti-praxe, com a praça 8 de Maio e as serenatas, com o Jardim da Sereia e os cânticos vindos das vozes roucas, a praça da República e as praxes. Mas o memorável foi o Teatro Académico Gil Vicente e quem lá passou. As borboletas na barriga de quem ainda tem aquele bichinho do palco, a cortina abrir e não ver ninguém, apenas ouvir os aplausos e os gritos de quem percorreu um longo caminho para nos ir ver. Os flashes das máquinas fotográficas, as trocas de olhares, a música a sair dos instrumentos e as palavras das nossas bocas.

Ir a um festival de tunas em Coimbra é algo que não se esquece, os momentos...esses são demasiados preciosos e valiosos para que possam ser descritos. Aliás, não há descrição possível...!

 

Anne Marie

C'est l'histoire de ma vie, racontée dans des mots qui sont le sommeil en vrac

É a história da minha vida, contada em palavras que fazem adormecer

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