Quarta-feira, 14.07.10

Sobre o sol, boa disposição

Sobre o sol?
É ele que me põe um sorriso na cara, me faz sair com quem me quer bem, me leva a tomar cafés em esplanadas ao fim da tarde e me leva a sair para ir até um bar na praia à noite. É ele que faz com que nada me aborreça, nada me aqueça ou arrefeça. É ele que me faz ir para a rua de calções e sandálias, e beber um frappuccino do starbucks às 16h. É ele que me faz andar ao sabor da brisa marítima e mergulhar na onda que se aproxima. É ele que me faz agarrar na mochila e ir passar um fim-de-semana à Ilha com pessoas que nos fazem rir o tempo todo.
É o sol que traz os festivais, as cores, a música e a água fria depois de um dia de praia. Estou completamente rendida aos sabores que a vida me tem proporcionado, aos sorrisos e à boa disposição. Ando feliz e isso nota-se. Até numa esplanada onde o empregado nos flirta e os dois senhores da mesa ao lado nos pagam uns copos. Estou absolutamente radiante, descalça, sobre o sol.

Quarta-feira, 07.07.10

As esperanças desiludem

 

Modo off.
Desligo do mundo, parto para outra, sigo as minhas vontades e vivo ao sabor do vento. Não me importa se é tarde ou se é cedo, não me importa o que fazer amanhã, porque ainda tenho algumas horas do dia de hoje.
Desligo do mundo, parto para outra, não quero saber de escola, de pessoas, de stress e confusões. Não me importa que o autocarro esteja atrasado e que o teste esteja à porta.
Desligo do mundo, parto para outra, acabaram-se os trabalhos e os testes. Não me importa mais nada, só o sol, o mar, e aquelas pessoas que tiveram de ficar um pouco mais ausentes nas alturas críticas em que me enfiava em casa e estudar.
Desligo do mundo, parto para outra, porque as cadeiras estão todas feitas e só falta saber uma nota. Não me importa que seja só uma porque tenho esperanças, a esperança é forte de que as férias já chegaram.
Desligo do mundo, volto atrás. As esperanças desiludem-nos e a nota vem para nos estragar os planos.
Quando a motivação é pouca, a vontade inexistente, a cabeça já não trabalha, o corpo não reage, o que fazer?

 

Segunda-feira, 14.06.10

Porras de uma vida

 

Os 20 já chegaram há algum tempo e, sim, sinto-me diferente.
Já não me sinto tanto uma menina grande que reclama com a vida e que nunca está satisfeita com nada. Já não venho para aqui contar como foi ontem, anteontem e como espero que o dia corra amanhã. A minha vida mudou, agora vejo tudo de maneira diferente. Vejo o passado de maneira diferente, tal como vejo o futuro. Vejo o curso, a faculdade, as amizades, os fins de semana e o mundo de maneira diferente. Agora tenho certezas de umas coisas e tremo de inseguranças por outras. Parece que afinal, já não existem facilitismos, já não nos podemos encostar àquela coluna fantástica do terraço da faculdade a fumar cigarros e a ter momentos de total diarreia cerebral. Agora já não podemos deixar as coisas para fazer no dia seguinte porque, agora, ficamos até às 03.00 da manhã a fazer trabalhos e a estudar para testes, quando podíamos ter feito os trabalhos antes e assim tínhamos tempo para estudar para os ditos testes. E se passássemos nos testes, tínhamos tempo para sair, ou para estar na ronha até às 14.00 a fazer zapping na televisão.
Agora, assumo que cometi um dos maiores erros de sempre. E estou a viver com isso.
Irritada. Possessa. Deprimida.
E invejosa, invejosa dele que está no Sul, que passou 45 minutos comigo da última vez, e que foi para festivais e beber copos nos bares das praias do Alentejo. Amuada por estar-se nas tintas. E acima de tudo chateada comigo por ser infantil e birrenta.
Há dias em que me enervo. Esses dias são óptimos para pôr a escrita em dia.

 

Quinta-feira, 20.05.10

Um post sem título

 

Voltar a escrever?
Ando destreinada, parece-me. Escrevo e apago, apago e escrevo vezes sem conta. As palavras amontoam-se sem significado, tal como aquilo que quero dizer não tem sentido nenhum. Não me sinto capaz de voltar a "inventar" uma vida interessante para mim. Não faço uso das coisas que me acontecem, não vou voltar a escrever sobre o dia-a-dia de uma rapariga qualquer. Estou a notar mudanças, em mim, nos outros, em tudo à minha volta. Estou a aprender a lidar com essas mudanças. A pouco e pouco vai tudo ficando claro, algumas portas abrem-se, outras fecham-se bem à chave, e outras deixamos entreabertas para o que virá aí. Descobri e conheci pessoas que julgo que ficarão na memória, se não ficarem para a vida. Outras deixei de ver, deixei de falar, deixaram de se dar. A minha vida está a sofrer alterações, os 20 anos estão quase quase a chegar, as mentalidades são outras, a carta está quase feita, o namoro...à distância. Suporta-se, vive-se, sobrevive-se.

Anne Marie

C'est l'histoire de ma vie, racontée dans des mots qui sont le sommeil en vrac

É a história da minha vida, contada em palavras que fazem adormecer

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