Sexta-feira, 15.10.10

Âncoras

 

Há dias em que sentimos um aperto no peito e não sabemos porquê.

Depois há aqueles em que só nos apetece chorar e não sabemos porquê-

Outros em que parece que todos estão de mal connosco, que nos respondem mal, tratam mal e descarregam as frustrações em nós, e não sabemos porquê.

E outros ainda em que sentimos muito a falta duma pessoa.

Tentem agora juntar os três num só dia e digam-me se é fácil chegar ao fim sem verter uma lágrima, sem se sentirem nostálgicos, com mau feitio, tipo homens/mulheres das cavernas sem querer ver o mundo ou as pessoas que nele existem. Pois hoje foi esse dia. E teria sido mais fácil se pelo menos aquela pessoa lá estivesse, porque o seu sorriso contagia, a sua energia contagia, até as suas lágrimas são contagiantes. Como uma âncora impede-me de ir ao fundo, de me afundar, de me afogar, de me deixar cair. Hoje especialmente senti a tua falta e das coisas bonitas que fizemos juntas.

Quinta-feira, 30.09.10

Ritmo

E, de repente o ritmo acelerou violentamente. Palpitações, suores, flash back e flash foward, tudo ao mesmo tempo invadiu a minha cabeça de abóbora que não conseguia assimilar tanta coisa. Lembro-me disto e daquilo, do tempo a voar e da música a entrar de rompante pelos meus ouvidos, formar uma bola na minha cabeça e, de repente sentir o corpo arrepiado e as notas musicais passarem-me diante dos olhos. Saltava e gritava, explodia de emoção e adrenalina sem sequer sentir qualquer tipo de dor nos pés ou nos braços que se mantinham erguidos no ar durante tempos e tempos. Apenas sentia que elevava os pés do chão e percorria aquele espaço com a multidão de gente que se aglomerava, mas a um ritmo completamente alucinante.
Tal como o sonho (real ou não), a vida tornou-se assim. Sem tempo e com um ritmo avassalador.

Quinta-feira, 09.09.10

Au revoir

 

 

Chegou a altura de dizer "adeus".

A tua ida significa o final do Verão, do sol, dos acampamentos e dos festivais. O mar fica ali à minha espera, até para o ano. Os castelos de areia desmoronam-se entretanto, embalados nas ondas, irão regressar certamente. Arrumo na mochila a toalha, os óculos de sol e os cheiros dos lugares onde estivemos. Terá sido, talvez, o último Verão passado em grande.

Agora vais, mas depois voltas. Tal como o Verão, o sol, os acampamentos e os festivais.

Au revoir mon amour. Au revoir...

Quarta-feira, 07.07.10

As esperanças desiludem

 

Modo off.
Desligo do mundo, parto para outra, sigo as minhas vontades e vivo ao sabor do vento. Não me importa se é tarde ou se é cedo, não me importa o que fazer amanhã, porque ainda tenho algumas horas do dia de hoje.
Desligo do mundo, parto para outra, não quero saber de escola, de pessoas, de stress e confusões. Não me importa que o autocarro esteja atrasado e que o teste esteja à porta.
Desligo do mundo, parto para outra, acabaram-se os trabalhos e os testes. Não me importa mais nada, só o sol, o mar, e aquelas pessoas que tiveram de ficar um pouco mais ausentes nas alturas críticas em que me enfiava em casa e estudar.
Desligo do mundo, parto para outra, porque as cadeiras estão todas feitas e só falta saber uma nota. Não me importa que seja só uma porque tenho esperanças, a esperança é forte de que as férias já chegaram.
Desligo do mundo, volto atrás. As esperanças desiludem-nos e a nota vem para nos estragar os planos.
Quando a motivação é pouca, a vontade inexistente, a cabeça já não trabalha, o corpo não reage, o que fazer?

 

Anne Marie

C'est l'histoire de ma vie, racontée dans des mots qui sont le sommeil en vrac

É a história da minha vida, contada em palavras que fazem adormecer

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